domingo, 2 de maio de 2010

E era ele...


Já era uma hora da manhã. O dono do bar estava irritado tentando fechar, mas não conseguia resistir aos encantos daquela bela mulher que a todo o momento pedia para ele esperar um pouco.
Ela já estava perdendo as esperanças. Será mesmo que ele viria? Ela já estava acostumada com isso. Nunca conseguira realizar um encontro direito. Também, tudo se explicava ao modo como a conheciam.
Dançarina de uma boate de Belo Horizonte, ela saudava aos olhos dos fregueses com aquele corpo escultural, com os cabelos negros, lisos e compridos e com aqueles flamejantes olhos cor-de-mel.
Sempre levara uma cantada ou outra durante sua performance, mas nada que fosse além disso. Sonhava sempre com o príncipe encantado do qual sempre sua mãe contara em suas histórias para dormir, porém esse príncipe nunca apareceu.
Até que um dia, dentro do metrô, voltando de mais um ia de trabalho ela senta-se perto de um rapaz. Figura bonita, dono de lindos cabelos dourados e cacheados, como se fosse um anjo. Saberia a cor de seus olhos se não fosse aqueles malditos óculos escuros. “Mas por que óculos escuros?”, pensava ela atordoada já que já se passavam das onze horas da noite.
Então ele sentiu m aroma agradável e adocicado de uma moça ao seu lado e desencadeou uma conversa. Eles conversaram por horas, até que chegou o ponto final. Os dois desceram.
Foi naquele momento que ela percebeu que ele carregava uma guia em suas mãos. Como pode ? Uma pessoa que não viu a sua estética ter a tratado tão bem?Isso não seria possível. Mas foi. Ela deu um pequeno bilhete em suas mãos e ele guardou no bolso do seu casaco adivinhando ser seu número de telefone. Semanas passaram-se. Ela esperou. E nada.
A dança na boate já não era mais a mesma, sua expressão que antes era de alegria tornou-se mórbida. Não sentia mais prazer em tudo aquilo.
Um dia seu telefone toca. Era ele. Com uma voz mansa e suave a chamava para sair e ela, monossilábica, aceitou com a feição mais linda possível na face.

E lá estava ela, uma hora da manhã, sozinha como de costume. Parou um carro. A esperança tomou conta do seu ser. Era ele. Foi como se uma chama apagada ressurgisse das cinzas. Ela correu e o abraçou em um abraço frenético. Reconhecendo o aroma, a única palavra que ele pode emitir foi “descupe-me”. E ela , já nem lembrando o que havia se passado,entrou no carro junto á ele.
Havia uma palavra nova para ela. Acho que era AMOR. E de uma coisa ela tinha certeza: Sua mãe estava correta todo o tempo. Existia sim príncipes e cavalos brancos.
Apenas o motorista fora testemunha do ar frenético e apaixonante que embargava aquele carro.



Autora: Hellen Soares

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